CET: O Que É o Custo Efetivo Total e Como Comparar Crédito
Na hora de contratar um empréstimo ou financiamento, a primeira informação que costuma chamar a atenção é a taxa de juros. “Apenas 1,9% ao mês”, diz o anúncio. Mas será que esse é o custo real da operação? Na maioria das vezes, não. Além dos juros, existem tarifas, seguros, impostos e outras despesas que encarecem o crédito.
É justamente para mostrar o custo completo que existe o CET, o Custo Efetivo Total. Neste artigo, explicamos o que é o CET, o que entra nesse cálculo, onde encontrá-lo e como usá-lo para comparar propostas e escolher a opção mais barata.
Resumo rápido:
- O Custo Efetivo Total (CET) reúne todos os custos de um empréstimo ou financiamento: juros, tarifas, seguros, impostos e outras despesas.
- As instituições são obrigadas a informar o CET, em percentual ao mês e ao ano, antes da contratação.
- Comparar propostas pelo CET, e não apenas pela taxa de juros, evita surpresas e pode gerar grande economia.
O que é o CET
O Custo Efetivo Total é um indicador que representa, em forma de taxa percentual, todos os custos de uma operação de crédito. Ele considera não apenas os juros, mas também os demais encargos e despesas cobrados do cliente.
Desde 2007, por determinação do Conselho Monetário Nacional, as instituições financeiras são obrigadas a informar o CET antes da contratação de operações de crédito com pessoas físicas, microempresas e empresas de pequeno porte. O valor deve ser apresentado em percentual ao ano e, geralmente, também ao mês.
O que entra no cálculo do CET
Os principais componentes do CET são:
- taxa de juros: o preço cobrado pelo dinheiro emprestado;
- IOF: Imposto sobre Operações Financeiras, cobrado em operações de crédito;
- tarifas: como a tarifa de cadastro, quando permitida;
- seguros: como o seguro prestamista, que quita a dívida em caso de morte ou invalidez, e seguros exigidos em financiamentos;
- custos de registro: como o registro de contrato ou da garantia;
- avaliação de bens: no caso de financiamentos imobiliários e empréstimos com garantia;
- outras despesas previstas no contrato.
Todos esses valores são somados e convertidos em uma taxa única, que mostra quanto o crédito realmente custa.
Por que o CET é mais importante que a taxa de juros
Duas propostas com a mesma taxa de juros podem ter custos totais muito diferentes. Imagine duas ofertas de empréstimo de R$ 10 mil em 24 parcelas, ambas com juros de 2% ao mês:
- a proposta A não cobra tarifas nem seguros obrigatórios;
- a proposta B inclui tarifa de cadastro e seguro prestamista.
Apesar da mesma taxa de juros, a proposta B terá um CET mais alto e parcelas maiores. Se você comparar apenas os juros, pode escolher a opção mais cara sem perceber.
O contrário também acontece: uma proposta com juros um pouco maiores pode ter CET menor, se não cobrar tarifas e seguros. Por isso, o CET é a forma mais justa de comparar ofertas.
Onde encontrar o CET
O CET deve ser informado de forma clara:
- na simulação feita no site, no aplicativo ou na agência;
- na proposta apresentada antes da contratação;
- no contrato, geralmente em uma planilha de cálculo que detalha os componentes;
- em anúncios de crédito que informem taxas de juros.
Se o CET não estiver visível, peça essa informação ao banco ou à financeira. Trata-se de um direito do consumidor, e a instituição é obrigada a fornecê-lo.
Como comparar propostas usando o CET
- simule em pelo menos três instituições, com o mesmo valor e o mesmo prazo;
- anote o CET anual de cada proposta;
- confira o valor total a pagar: some todas as parcelas;
- verifique o que está incluído: seguros, tarifas e custos de registro;
- escolha a proposta com menor CET e parcela compatível com o orçamento.
Uma dica importante: sempre compare propostas com o mesmo prazo. Prazos diferentes mudam o valor da parcela e o total pago, o que pode confundir a comparação.
Seguros embutidos: atenção
Um dos pontos que mais elevam o CET é a inclusão de seguros, como o prestamista. Em muitos casos, esse seguro é oferecido como opcional, mas vem pré-selecionado na proposta. A chamada “venda casada”, em que o banco condiciona a concessão do crédito à contratação de outro produto, é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Isso não significa que o seguro seja sempre ruim. Ele pode ser útil para proteger a família em caso de imprevistos. No entanto, o consumidor tem o direito de escolher se quer ou não contratá-lo e, em alguns casos, de escolher a seguradora.
CET em diferentes modalidades de crédito
O CET varia muito conforme o tipo de crédito. De modo geral, das modalidades mais baratas para as mais caras, costuma-se observar:
- financiamento imobiliário: juros menores, prazos longos e garantia do imóvel;
- consignado: desconto em folha reduz o risco;
- empréstimo com garantia de veículo ou imóvel;
- financiamento de veículos;
- empréstimo pessoal sem garantia;
- cheque especial e rotativo do cartão: entre os mais caros do mercado.
Conhecer essa ordem ajuda a escolher a modalidade mais adequada. Para organizar dívidas caras, veja nosso guia sobre como sair do rotativo do cartão.
CET e portabilidade
O CET também é a principal referência na portabilidade de crédito. Se você já tem um empréstimo ou financiamento e encontra outra instituição com CET menor, pode transferir a dívida sem custo. Comparar o CET do contrato atual com o das novas propostas mostra exatamente quanto você pode economizar.
Como calcular a economia na prática
Nem sempre é fácil interpretar a diferença entre dois percentuais de CET. Uma forma simples de visualizar é comparar o valor total pago. Por exemplo, em um empréstimo de R$ 15 mil em 36 meses:
- com CET equivalente a 2,5% ao mês, a parcela ficaria em torno de R$ 637, e o total, em cerca de R$ 22.900;
- com CET equivalente a 1,8% ao mês, a parcela ficaria em torno de R$ 570, e o total, em cerca de R$ 20.520.
A diferença, de mais de R$ 2 mil, mostra como vale a pena pesquisar antes de contratar.
CET mensal x CET anual
O CET costuma ser apresentado de duas formas: ao mês e ao ano. A taxa anual não é simplesmente a mensal multiplicada por 12, porque considera os juros compostos. Por exemplo, um CET de 2% ao mês corresponde a cerca de 26,8% ao ano. Ao comparar propostas, use sempre a mesma base, de preferência a anual, que dá uma visão mais clara do custo total ao longo do tempo.
Também vale ficar atento a anúncios que destacam apenas a taxa mensal, que parece pequena. Converter para a taxa anual ajuda a dimensionar o peso real dos juros no seu orçamento.
Sinais de alerta em ofertas de crédito
- propostas que não informam o CET ou se recusam a apresentá-lo;
- pedidos de pagamento antecipado para liberar o empréstimo;
- pressão para assinar rapidamente, sem tempo para ler o contrato;
- ofertas de crédito “sem consulta” com parcelas muito baixas e prazos longos demais;
- seguros e produtos incluídos sem que você tenha pedido.
Diante de qualquer um desses sinais, o melhor é recusar a oferta e procurar instituições reconhecidas, autorizadas pelo Banco Central, cujo cadastro pode ser consultado gratuitamente no site da autoridade monetária.
Direitos do consumidor na contratação de crédito
- receber informações claras sobre juros, CET, valor das parcelas e total a pagar;
- receber cópia do contrato;
- quitar a dívida antecipadamente com redução proporcional dos juros;
- desistir do contrato em até sete dias, quando a contratação for feita fora do estabelecimento, como pela internet ou por telefone;
- não ser obrigado a contratar produtos adicionais.
Um exemplo prático
A Fernanda precisava de R$ 8 mil para uma reforma e recebeu três propostas. O banco onde tinha conta oferecia juros de 1,9% ao mês, mas incluía seguro prestamista e tarifa de cadastro, com CET final bem maior. Uma cooperativa de crédito oferecia juros de 2,1% ao mês, sem tarifas nem seguros, e com CET menor. Um banco digital apresentou o menor CET de todos. Comparando o valor total a pagar, ela percebeu uma diferença de quase R$ 900 entre a proposta mais cara e a mais barata, e escolheu a do banco digital.
Perguntas frequentes
O CET inclui o IOF?
Sim. O IOF faz parte do custo total e está incluído no cálculo.
Por que o CET é maior que a taxa de juros?
Porque inclui, além dos juros, tarifas, seguros, impostos e outras despesas.
Posso negociar o CET?
Sim. Com propostas de outras instituições em mãos, é possível pedir redução de juros, retirada de seguros opcionais e isenção de tarifas. Muitas vezes, o banco prefere reduzir o custo a perder o cliente.
O CET muda ao longo do contrato?
Em contratos com taxas prefixadas, não. Em contratos pós-fixados ou corrigidos por índices, o custo final pode variar conforme o indicador.
O CET vale para o cartão de crédito?
Sim. O rotativo e o parcelamento da fatura também devem informar o CET na fatura ou no aplicativo.
Conclusão
O Custo Efetivo Total é a ferramenta mais importante para entender quanto um crédito realmente custa. Em resumo: ele reúne juros, IOF, tarifas, seguros e outras despesas; deve ser informado pelas instituições antes da contratação; e permite comparar propostas de forma justa. Antes de assinar qualquer contrato, peça o CET, compare pelo menos três ofertas e observe o valor total a pagar. Essa atitude simples pode representar uma economia significativa.
